Faça sempre o que tiver medo de fazer…

Não consigo abandonar os cadernos, às vezes as palavras fluem melhor a moda antiga, o papel e a caneta na mão. Já criei por diversas vezes esse “diários virtuais”, mas nós não nos damos bem. Na verdade acho que só utilizo blogs quando tem alguma coisa que quero gritar pro mundo preso em mim. Normalmente quero gritar sobre as coisas ruins, como términos de relacionamento, aquela briga com meu melhor amigo, a decepção que alguém me causou ou raiva que to sentindo da minha família. Mas hoje vim gritar sobre o medo.
Esse ano não foi um ano muito fácil pra mim, demissão, paixão, doença, mudança, drogas e decepção foram algumas das coisas que vieram em um grande pacote que foi despejado na minha cabeça. E doeu, doeu muito. E agora em mais uma noite acordado pude parar e refletir sobre tudo. E foi assustador.
Um grande amigo meu me disse esse ano uma coisa que neguei ate alguns minutos atrás: “Iuri, seu maior medo é o encontro com você mesmo. Você precisa aprender a olhar pra dentro de si.” Ele estava certo.
Eu morria de medo mesmo de me encarar porque sabia que aqui dentro existiam milhões de coisas jogadas e quebradas e no meio disso tudo existia um adulto. Abandonado e trancafiado em algum canto. Um adulto que eu não queria encontrar.
Tinha medo de aceitar que a vida acontece num plano chamado realidade e então eu me refugiava no plano da idealização onde tudo era perfeito, onde eu era forte, decidido e seguro. Acontecia mais ou menos dessa forma: quando você v

ai desenhar alguma coisa, uma casinha, por exemplo, você imagina uma casa linda e cheia de detalhes e ai você pensa “Vai ficar um desenho ótimo”, no fim você acaba desenhando uma casa com pequenos traços, com uma porta e uma janela sem esquecer-se da arvorezinha do lado e um sol sorrindo. E voilà! Ela não se parece nada com aquela linda casinha que você havia imaginado.
Era assim que eu vivia, eu era a mansão e no fundo não passava de uma pequena casa de tijolos.
Ai as coisas acontecem, você é demitido, você não esta na faculdade, o parente adoece e o mundo vai jogando no seu colo um monte de responsabilidades e o que eu fiz? Corri o mais rápido que pode pra longe de tudo isso.
E sabe o que descobri quando me agachei pra descansar? Eu estava no mesmo lugar e minhas responsabilidades estavam todas ali, rindo da minha cara. E ai sabe o que eu fiz? Corri pro colo dos meus amigos. E sabe o que mudou? Nada!
Então comecei a caminhar, e aceitar minhas obrigações e alguma coisa aqui dentro começou a mudar. Aquela bagunça interior foi se ajeitando. O que estava quebrado e não tinha concerto foi jogado fora, algumas outras coisas que estavam quebradas, mas que ainda assim eram valiosas, foram guardas numa caixa.
E foi assim arrumando tudo que descobri que algumas coisas se tornam valiosas só depois que estão quebradas. E é aqui que voltamos ao ponto de partida.
Essas coisas quebradas, e valiosas por estarem assim, se juntam em um vazio chamado futuro e formam o adulto que estava escondido em mim. E era disso que eu tinha medo. Tinha medo de crescer. Só que eu cresci. E morro de medo de que a criança que existe em mim morra.
Por outro lado sei que pela primeira vez na vida estou fazendo minhas escolhas de forma consciente. E melhor ainda estou fazendo minhas escolhas por mim mesmo e não pela opinião dos outros. Espero que essas escolhas me levem pelo caminho certo e principalmente espero que a criança que trocou de lugar com adulto aqui dentro saia em algumas noites estreladas para espalhar tudo no chão e brincar com ar de um adulto que por um momento esqueceu seus conflitos e responsabilidades.
O medo é bom, fugir dele é que é ruim.

“E o Pequeno Príncipe disse ao homem: - Os adultos não entendem nada sozinhos e é cansativo para as crianças ficarem sempre explicando as coisas pra eles”








